A NOVA VISÃO DE MOTIVAÇÃO: FLOW

Surge um novo conceito em motivação: o flow

Quando muitos acreditavam que tudo já havia sido dito em termos de motivação, surge no cenário acadêmico um novo conceito: a Experiência Máxima, apresentada por Mihaly Csikszentmihalyi no livro Flow: The Psychology of Optimal Experience, traduzido na versão brasileira por Psicologia da Felicidade, título que não retrata a complexidade do tema (CSIKSZENTMIHALYI, 1991, 1992).
   Preocupado com aspectos criativos, cognitivos e motivacionais (CSIKSZENTMIHALYI, 1996, 1992), o autor percebeu que o mesmo “estado de espírito extraordinário” encontrado em artistas (o pintor que pinta uma aquarela, por exemplo), também poderia ser encontrado em outras pessoas, trabalhando em atividades “sem atrativos”, comuns, “desglamourizadas”. A obra de Csikszentmihaliy quer, assim, restituir às pessoas comuns a possibilidade de obter satisfação no dia a dia, não somente através de acontecimentos excepcionais, inesperados e raros.
   Em primeiro lugar, o que é chamado aqui de “estado de espírito extraordinário” é o que Csikszentmihalyi chamou da experiência de fluir ou flow . Esse estado ocorre quando o indivíduo, motivado e capacitado para a atividade, sente-se desafiado pela tarefa, concentra-se de forma extrema na sua resolução até o ponto de perda da noção de tempo e emprega ao máximo suas capacidades. Ao mesmo tempo em que realiza grandes esforços, não os percebe como tal, pelo menos no sentido negativo do termo (no sentido de sacrifício, de exaustão), justamente porque os esforços são realizados em direção a suas próprias metas, e não a fim de atender metas alheias. Há uma sensação de controle (da situação e de autocontrole), onde a atividade é o fim em si mesma. A satisfação não se encontra apenas nos resultados, mas no processo como um todo, o que permite, por si só, uma sensação muito mais prolongada e enriquecedora. Essa é, aliás, a origem do termo empregado muitas vezes pelo autor, autotélico. Do grego, auto (por si mesmo) e telos (finalidade), daí a personalidade autotélica, aquela que busca a satisfação independente das circunstâncias, que aprecia o caminho e não somente a chegada.
   O flow é diferente de apenas sentir prazer. O prazer, embora indispensável à felicidade humana, pode ser considerado como um elemento absorvido passivamente, de caráter fugidio, que não traz lembrança de satisfação e não gera crescimento pessoal. Por outro lado, o flow é duradouro, há sensação de controle dos eventos e crescimento pessoal, advindo a satisfação da superação dos obstáculos. Enquanto o prazer é um importante componente da qualidade de vida, mas não traz felicidade por si só, o flow gera crescimento psicológico e aumenta a complexidade do ser. As diferenças entre prazer e satisfação ficam nítidas quando se pensa nas formas de aproveitamento das capacidades sensoriais. No que se refere ao paladar, por exemplo, pode-se devorar um prato de comida e obter o prazer de saciar a fome ou pode-se saborear lentamente uma refeição requintada, identificando os temperos, ervas, aromas e sabores, ou ainda tentar preparar o próprio alimento, enfrentando os desafios de combinar adequadamente os ingredientes. Csikszentmihalyi (1992) enfatiza que as experiências de flow podem não ter sido exatamente agradáveis na época em que ocorreram. Um certo grau de sofrimento e angústia, grande esforço e momentos de incerteza quase sempre são associados aos processos que conduzem ao flow. A diferença está em que, depois que as experiências aconteceram, elas podem ser recordadas como positivas e ensejadoras de crescimento pessoal.
   Para que a experiência de satisfação plena possa ocorrer, necessitamos de um equilíbrio dinâmico entre capacidades e desafios. Alta capacidade e baixo desafio leva ao tédio. Alto desafio e baixa capacidade leva à ansiedade. Segundo o autor, é impossível fazermos por um longo tempo a mesma tarefa, com o mesmo nível de complexidade, sem ficarmos frustrados ou entediados. Logo, o flow está no aumento gradual da complexidade das tarefas, levando a um incremento também gradual de nossas capacidades, ou seja, ao desenvolvimento de nossos potenciais. É a busca por satisfação que nos leva à procura de novos desafios e de oportunidades de realização de nosso potencial (CSIKSZENTMIHALYI, 1996, 1997).
   Assim, estariam presentes no flow os seguintes elementos: o desafio, as capacidades para enfrentá-lo, o “perder-se” na tarefa e a satisfação que leva ao esquecer do tempo que passa. Os que alcançam o flow conseguem focar a atenção em atividades ligadas a suas metas, controlam sua realidade subjetiva de forma a libertar-se de recompensas externas inatingíveis e encontram recompensas na atividade atual, a qual se entregam sem reservas, de forma ativa, dedicada e responsável. A personalidade autotélica cria condições de flow, transformando atividades áridas em atividades complexas e reconhece oportunidades de ação onde outros não reconhecem (CSIKSZENTMIHALYI, 1992).
   A capacidade de “entrar em flow” não se restringe às questões profissionais. É possível passar do estado do puro tédio à experiência do flow nas áreas familiar, social, cultural e até mesmo no lazer. Para tanto, necessitamos estar conscientes de que a satisfação não ocorre de forma casual, para alguns afortunados que passam por acontecimentos empolgantes. Ao contrário, o flow é resultado de um esforço consciente pela definição de nossas próprias metas, desenvolvimento de potencial, busca constante de recursos internos, menor dependência de fontes externas de gratificação e identificação clara do que é nosso interesse e do que é interesse alheio. Como se vê, a busca do flow não é uma tarefa fácil. É, porém, compensadora para aqueles que a experimentam.

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3 respostas para A NOVA VISÃO DE MOTIVAÇÃO: FLOW

  1. Flávia Rodrigues de Azevedo disse:

    A motivação é necessária em todos os campos de nossa vida, familiar, educacional, vocacional e muito mais no dia a dia de nosso trabalho, se amamos o que fazemos, sempre vai ser maravilhoso acordar todas as manhãs afim de executar nossas tarefas e atingir nossas metas pessoais para evolução pessoal e não as emposta pela sociedade. E atingir um estado máximo de satisfação pessoal.

  2. Pamela Ribeiro da Silva disse:

    Boa tarde Professor,
    A motivação não passa de um processo em que nós fazemos a ação e nos preparamos para chegar até a necessidade satisfeita.
    Primeiro vem a necessidade não satisfeita -> Ter um sonho
    Tensão -> Que vem se vontade, sem ânimo, você começa a ver obstáculos.
    Intenção Vontade -> Redução do problema, você começa a ver modos de acabar com o problema.
    Comportamento de busca-> Você vai atrás, se esforça para conseguir seu objetivo.
    E a Necessidade Satisfeita -> Quando você alcança o tão desejado “sonho”.
    Daí depois de algum tempo temos a Redução de tensão -> Quando realizamos aquele sonho e ja não é tão importante mante-lo em motivação, perdemos o “gosto”.

    A motivação é na verdade comportamentos que nos leva a ação, quando realizamos aquilo que desejamos, a vontade que precisa ser de coração, verdadeira, mas para isso precisamos ter estímulo para busca-lá.

    Pâmela Ribeiro da Silva
    RA:B87181-4
    Gestão em Comex- 2° Semestre
    Unip- Chácara Sto Antonio II

  3. verginia disse:

    Flow para mim é o fim de um começo, é tudo aquilo que você sonhou, a desilusão, anseio, verdade e ao mesmo tempo a continuidade da importâcia de acreditar aquilo que tedimos para realizar. e não desistir disso por mais que as relevância diz ao contrario

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